Clayton Christensen e sua teoria de Inovação Disruptiva (parte 3)

Você tem uma pizzaria que entrega em casa e um dia a empresa que lhe vende farinha de trigo propõe entregar a massa já pronta. O negócio parece bom, porque reduz o seu trabalho e você pode ficar com a parte realmente lucrativa. Acerta uns detalhes com ela e passa a receber a mistura.

Tempos depois o mesmo fornecedor, que agora também entrega tomates, pergunta se você não quer o molho já pronto, além da mussarela, previamente moída. Tudo parece ótimo, pois são tarefas com pouco valor agregado e você pode se focar no recheio e na venda – que é onde realmente está o dinheiro.

Mais alguns meses e você experimenta a massa pré-assada do mesmo fornecedor. Uma delícia! E ainda reduz o tempo de preparo da pizza à metade. Agora é só embalar e entregar.

Semanas depois seu número de clientes despenca. Seu ex-fornecedor, que já fazia quase tudo, agora faz tudo. É seu concorrente. Ele vende a sua pizza. E você quebrou.

No terceiro texto sobre a teoria da Inovação Disruptiva, de Clayton Christensen, entenderemos porque este movimento é mais comum do que imaginamos. E como eles ocorrem, não só em pizzarias de bairro, mas nas maiores empresas do mundo.

3. A disrupção na cadeia produtiva

O alerta de Christensen é para que você entenda que diferencial você tem em seu negócio para agregar valor a um bem ou serviço. Não se trata, obviamente, de negar a terceirização, já que ela é a melhor saída em várias situações. Desde que você não perca o controle daquilo que é a sua principal vantagem sobre seus concorrentes. Você deve ter muito cuidado ao terceirizar suas melhores receitas – por mais que os movimentos pareçam naturais.

Por outro lado, eu poderia ter contado a mesma história sob o ponto de vista do fabricante. Mostrar como ele fez o caminho inverso da comoditização: partindo da farinha de trigo e chegando a uma pizza. Ao trabalhar um pouco mais uma matéria-prima, na fase inicial da cadeia produtiva, você agrega valor a algo praticamente sem diferenciação. Assim surgem novos mercados – sejam B2B ou mesmo B2C.

É preciso enxergar – independentemente de que lado você se encontre – que a terceirização muitas vezes inicia as poderosas engrenagens da Inovação Disruptiva.

Fonte: Administradores.com.br – O portal da Administração - Por Rodolfo Araújo

Clayton Christensen e sua teoria de Inovação Disruptiva (parte 2)

Muitas pesquisas de marketing buscam entender o comportamento do consumidor, perguntando motivos e razões pelos quais ele usa este ou aquele produto. Taisinsights ajudam a aperfeiçoar características, melhorar a performance e aumentar os benefícios percebidos. Mas o produto continuará sendo o mesmo, assim como o cliente.

Independentemente do mercado em que você atue, sempre haverá mais pessoas que não consomem o seu produto (ou do seu concorrente) do que pessoas que efetivamente consomem. Muito mais. Absurdamente mais. Este é o tema do segundo texto sobre a teoria da Inovação Disruptiva, de Clayton Christensen, como apresentado em sua palestra na HSM Expo 2011.

2. Novas tecnologias devem focar o não-consumidor

Enquanto você fizer pesquisas somente com o seu público-alvo, jamais conhecerá quem está de fora, tampouco os motivos pelos quais elas não consomem o seu produto. Para Christensen, novas tecnologias devem focar exatamente este público: os não-consumidores.

Segundo ele, os principais motivos que deixam pessoas de fora de determinados segmentos são a complexidade do uso do produto tradicional e o seu alto preço.

Muitas vezes a complexidade do uso é um efeito colateral da própria tecnologia. Responda rápido: dos quarenta e dois botões do controle remoto da sua TV, quantos você efetivamente usa? Liga, desliga, aumenta ou diminui o volume e troca o canal. Todo o resto serve para quê, mesmo…?

Além de dificultar o uso do consumidor médio (lembre-se que nem todos têm a sua paciência para ler os manuais), as inovações incrementais frequentemente entregam benefícios dos quais você não precisa.

Antigamente as impressoras domésticas tinham capacidade para duas ou três páginas por minuto. Hoje cospem vinte ou trinta. Quem precisa disso em casa? Ou quem precisa de um automóvel com 250hp onde o limite de velocidade é 60 km/h? Este superatendimento da demanda obviamente cobra o seu preço.

Em todo mercado sempre haverá clientes dispostos a ter um produto com menos sofisticação, pagando um pouco menos. O Kindle Fire, o tablet da Amazon, tem bem menos funcionalidades do que o iPad, mas custa menos da metade do preço. Certamente há um mercado enorme que se interessa por isso. E, para quem ainda não reconheceu, este é o princípio por trás da Estratégia do Oceano Azul.

Fonte: Administradores.com.br – O portal da Administração - Por Rodolfo Araújo

Clayton Christensen e sua teoria de Inovação Disruptiva

Sempre considerei Clayton Christensen o maior autor em Estratégia Corporativa. Hoje tive certeza, ao ver o palestrante de 2,03m expor de forma brilhante suas teorias sobre Inovação Disruptiva.

No mundo dos negócios há muitos teóricos, alguns práticos, diversos modismos, várias ondas. Mas nada é tão prático quanto a teoria de Christensen. Nada resiste tão bem aos modismos organizacionais, nem às ondas do marketing quanto o seu modelo de inovação.

Conhecê-lo a fundo pode abrir as portas de novos mercados e apontar o caminho para quem está chegando. Pode, do mesmo modo, mostrar as ameaças para quem já se estabeleceu e, assim, ensinar a evitar ser pego de surpresa.

Quatro importantes dicas resumem suas ideias e, a partir de hoje, veremos uma por semana.

1. Sempre olhe para baixo

Se você criou algo novo e pretende atingir determinado mercado, comece por baixo. Mire os segmentos menos lucrativos que, geralmente, são desprezados pelos líderes.

Normalmente trata-se de um grupo de clientes não tão lucrativos para grandes empresas, mas que podem dar a uma start-up o fôlego de que ela precisa para crescer. Além disso, por não ser atrativo para os players maiores, provavelmente é um mercado pelo qual eles não vão brigar. Pelo contrário, devem ficar felizes por se dedicar aos consumidores mais rentáveis.

Assim fez a Toyota quando chegou aos EUA, focando nos carros mais baratos. Com uma posição estabelecida no segmento, eles foram melhorando a qualidade dos automóveis e atingindo um público cada vez mais exigente, até chegar aos veículos de luxo, desbancando líderes como Ford e GM.

Quando, ao contrário, você estiver do lado de cima, também é para baixo que deverá olhar. Dos menores e menos lucrativos segmentos virão seus mais perigosos concorrentes. Quando você se livrar dos clientes problemáticos e vir sua margem de lucro crescer, pode ter certeza de que algo perigoso está surgindo ali. Porque se ontem foi a Toyota que atacou a Ford, hoje a própria Toyota é atacada pela Hyundai e amanhã provavelmente a Tata ou a Jac Motors atacará a Hyundai.

Por isso, sendo o líder ou o aspirante, você deve sempre olhar para baixo. No próximo texto veremos o valor do não-consumidor e por que ele não é atendido. Até semana que vem!

Fonte: Administradores.com.br – O portal da Administração - Por Rodolfo Araújo

Mudança no Simples pode beneficiar milhões de empresas

O projeto de Lei Complementar (PLP) 87/11, aprovado pela Câmara dos Deputados, pode beneficiar mais de 5,3 milhões de empresas no Simples Nacional, conforme avalia o gerente de Políticas Públicas do Sebrae, Bruno Quick. Entre as medidas, o projeto ajusta em 50% as faixas e o teto da receita bruta anual dos micro e pequenos negócios do Simples e cria o parcelamento de débitos de empresas que integram este regime especial de tributação.

As mudanças foram comemoradas por parlamentares, integrantes de entidades empresariais e do Sebrae. “Ampliar as faixas do Simples permite que as empresas possam se desenvolver”, diz Bruno Quick, explicando que, muitas vezes, esses empreendimentos evitam crescer para não estourar o teto de receita exigido e não serem excluídas do sistema.

Bruno Quick lembra a necessidade de continuar buscando o fim da cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) via substituição tributária, o que prejudica as empresas do Simples Nacional, e incluir novas categorias econômicas no sistema. Estas questões estavam no Projeto de Lei Complementar 591/11, que também tramitava na Câmara dos Deputados, mas que não foi apreciado por acordo entre parlamentares e governos estaduais.

Grandes incentivos

“Só o ajuste nas faixas do Simples e o parcelamento de débitos de empresas do sistema já são grandes incentivos”, avalia o presidente da Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Comicro), José Tarcísio da Silva. Ele defende articulações no Senado para incluir no projeto o fim da cobrança do ICMS via substituição tributária para os pequenos negócios e pela inclusão de novas categorias no sistema.

No geral, a decisão da Câmara agradou. “Foi a melhor notícia do ponto de vista de política pública para os pequenos negócios”, considera o superintendente do Sebrae no Rio Grande do Norte, Zeca Melo, que acompanhou a votação.

O vice-presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e integrante do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae Nacional, Luiz Carlos Furtado Neves, destaca os impactos positivos da medida, lembrando que os micro e pequenos negócios são maioria no país. “A CACB tem 2,3 mil associações que, juntas, reúnem mais de 2 milhões de empresas. Destas, 95% são micro e pequenos negócios”, exemplifica.

O secretário-executivo do Simples Nacional, Silas Santiago, lembra que com o projeto aprovado e a lei sancionada, ainda este ano já começam a valer benefícios como o parcelamento de débitos de empresas do Simples. “Isso se estenderá a quase 500 mil empresas ”, diz.

Ex-presidente da Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa no Congresso Nacional, o ex-deputado Claudio Vignatti também acompanhou a votação. Ele lamenta especialmente que os acordos para aprovação do projeto tenham deixado de fora pontos como a solução da cobrança do ICMS e a inclusão de novas empresas no sistema. “Em matéria tributária, se não ocorre acordo, há problemas para sua aprovação”, observa.

Como gerar negócios a partir de um preço

O economista argentino Ariel Baños acredita que o preço pode ser o ponto de partida para um novo negócio. Segundo ele, priorizar o “quanto vai custar” durante a preparação de um produto ajuda a atingir potenciais clientes que estavam insatisfeitos com as alternativas já presentes no mercado de qualquer segmento.

Mas estipular um preço competitivo parece fácil demais diante do desafio de adequar todos os custos do processo de produção para que, de fato, “caibam” no valor final do produto. Isso tudo sem que o item deixe de ser rentável para a empresa que o produz.

Em um artigo publicado no jornal La Nación, Baños defende que, nesses casos, é necessário desafiar a abordagem convencional em termos de desenvolvimento do produto. Ao invés de desenhar o produto para depois lhe atribuir um preço, o economista propõe que o produto seja desenhado a partir de um preço fixo. E é aí é que entra a criatividade e as soluções inovadoras por parte do time da companhia envolvida.

Como exemplo dessa inversão de processos, o economista cita a chegada do carro Ecosport, da Ford, ao mercado. Executivos da empresa notaram que o consumidor admirava os modelos esportivos, do tipo 4X4, mas o preço os impedia de adquirir um. Assim, buscaram inovações na produção do automóvel para garantir que o utilitário fosse vendida pelo preço de um carro de médio porte. Você se lembra de outros exemplos?

Fonte: Blog Papo de Empreendedor – Editora Glogo